A exposição ‘Recollection’ apresenta as mais recentes obras de Paulo Ramunni, quadros-esculturas que estarão patentes na CódigoDesign entre os dias 28 de Setembro e 18 de Novembro de 2017.

Das esculturas, estas obras têm a matéria, e suportam uma narrativa sobre a matéria. Remetem para um processo – o trabalho com a madeira. O Paulo cultiva a comunhão com a natureza, a aceitação de todos os seus elementos; e a forma como usualmente trabalha os materiais nasce nessa ligação. Nos quadros, o material natural coabita e interage com o processado. A aproximação visual às múltiplas porções de cada obra organiza composições internas que revelam essa natureza do trabalho, e situa a origem dos elementos de construção nesses procedimentos de alteração da matéria natural. São procedimentos com um elevado carácter de manualidade, que intensificam a relação da pessoa com essa matéria; uma relação acrescida da sensibilidade emotiva que dirige a sua organização nestes planos criativos. Será portanto natural se partirmos da observação localizada da obra, antes de finalmente captarmos a sua organização geral, pois são essas relações de força localizada entre os elementos estruturais que mais directamente traduzem a sensibilidade (ou intuição) que dirigiu o processo produtivo : a apreciação estética de cada pedaço da matéria natural ou transformada, e a vontade de associar especificamente as diferentes formas. O carácter cénico que podemos interpretar, ou imaginar, nestes quadros-escultura disponibiliza um espaço para narrativas urbanas ou selvagens, mas sobretudo para discorrer sobre uma relação sensível entre o trabalho do homem e os elementos que para ele se disponibilizam, e que podem ser mais do que simplesmente utilitários, no sentido mais pragmático do termo.

Segundo o autor, “[…] É como reorganizar as coisas (elementos escultóricos) com uma precisa imprecisão, uma razão que a razão desconhece. […] Ao olhar estas obras, o meu universo expressivo, nelas representado, alquimia-se com o universo impressivo de cada um que as olha. […]”